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Sociedade Brasileira de Hansenologia oficia Nações Unidas pelo desabastecimento de PQT para pacientes de hanseníase na Nigéria

Sociedade Brasileira de Hansenologia oficia Nações Unidas pelo desabastecimento de PQT para pacientes de hanseníase na Nigéria

A Sociedade Brasileira de Hansenologia (SBH), uma das mais respeitadas sociedades médicas na área de hanseníase no mundo, acaba de oficiar a Relatoria Especial sobre Discriminação contra Pessoas Atingidas pela Hanseníase – Organização das Nações Unidas, apelando para a disponibilização urgente de medicação para tratamento da doença na Nigéria. O documento foi enviado à relatora Beatriz Miranda-Galarza nesta terça-feira 21 de janeiro.

A hanseníase é tratada com um coquetel de antibióticos conhecido como poliquimioterapia. A PQT, como é chamada, é distribuída gratuitamente pelas Nações Unidas aos países que ainda não eliminaram a hanseníase “como problema de saúde pública” – a doença não pode ser erradicada, como a varíola, por exemplo, mas o aumento dos diagnósticos e tratamentos é a estratégia para quebrar a cadeia de transmissão do bacilo de Hansen, paralelamente a ações de treinamento e capacitação de profissionais da saúde, aumento da vigilância, busca ativa de casos e campanhas educativas.

Na carta, o presidente da SBH, Marco Andrey Cipriani Frade, e o assessor de Relações Internacionais da entidade, Claudio Guedes Salgado, pedem urgência na atenção ao problema do desabastecimento da medicação aos cidadãos nigerianos:

Milhares de pacientes, incluindo mais de 800 crianças, estão em risco de desenvolver sequelas irreversíveis devido à falta de PQT. A ausência do tratamento não apenas impede a cura, mas também perpetua a transmissão da doença na comunidade.

A PQT é essencial para o tratamento da hanseníase, e a sua falta representa uma catástrofe para os pacientes e para os esforços de controle da doença. A interrupção do tratamento pode levar ao desenvolvimento de resistência medicamentosa, dificultando ainda mais o combate à hanseníase. Além disso, a falta de tratamento adequado pode causar danos irreversíveis aos nervos, resultando em deficiências físicas, graves problemas psicológicos e estigma social.

A SBH apela às autoridades de saúde da Nigéria e à comunidade internacional e lista medidas que devem ser tomadas em caráter emergencial, como disponibilização imediata da PQT; fornecimento de alternativas terapêuticas, com disponibilização de medicamentos substitutivos para os pacientes que não podem receber a PQT convencional ou que não respondem ao tratamento; transparência na gestão da PQT; investimento em pesquisa; fortalecimento dos sistemas de saúde e promoção da colaboração internacional para garantir o fornecimento de medicamentos.

A SBH, que atua no enfrentamento à hanseníase no Brasil desde 1948, se propôs a colaborar com o governo nigeriano nas estratégias de capacitação de profissionais de saúde, busca ativa de casos, fornecimento de tecnologias desenvolvidas por centros de pesquisas brasileiros que estão revolucionando o rastreio de casos inclusive com utilização de ferramentas acessíveis de Inteligência Artificial, georreferenciamento, questionário de autoavaliação compreensível por crianças alfabetizadas e cidadãos com pouca escolaridade, campanha educativa – no Brasil, a SBH realiza, há 10 anos, a campanha “Todos contra a Hanseníase” – e disponibilização de especialistas brasileiros para debate sobre políticas públicas e desenvolvimento de estratégias locais para o problema. A entidade promove o maior evento brasileiro especializado no tema, que é o Congresso Brasileiro de Hansenologia, realizado anualmente com participação de especialistas brasileiros e estrangeiros e movimentos sociais, e lançou o Curso de Especialização em Hansenologia em Cuiabá gratuito e exclusivo para médicos do SUS, que já formou 37 hansenologistas, responsáveis pelo aumento dos diagnósticos no estado do Mato Grosso e enfrentamento à endemia oculta da doença.

Ofício na íntegra neste link

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