Espetáculo cênico da Orquestra Sinfônica de Ribeirão Preto reúne árias de vários compositores em que uma poção sempre interfere no rumo das histórias de amor
A Orquestra Sinfônica de Ribeirão Preto apresenta, nos dias 4 e 5 de abril, no Theatro Pedro II, o espetáculo cênico “Elixir e seus amores”, com regência de Reginaldo Nascimento e direção cênica de Paulo Esper. A montagem reúne coro, solistas e orquestra em um programa que percorre algumas das mais célebres árias do repertório operístico, em uma narrativa construída a partir de uma ideia central: o elixir como metáfora das paixões humanas.
“A culpa sempre é do elixir”, resume Paulo Esper, referência na cena lírica brasileira, diretor e cantor, assina a direção cênica do espetáculo. Esper tem uma trajetória de mais de quatro décadas dedicadas à ópera, é fundador e diretor da Cia Ópera São Paulo, criador do Concurso Brasileiro de Canto Maria Callas e foi diretor artístico adjunto do Theatro São Pedro, em São Paulo. Reconhecido por seu trabalho de formação e difusão da ópera no Brasil, recebeu do governo italiano o título de Cavaliere della Stella d’Italia.
O espetáculo
O programa começa e termina com trechos da ópera L’elisir d’amore, de Gaetano Donizetti. Nessa história, o ingênuo Nemorino acredita ter encontrado uma poção capaz de conquistar o amor de Adina. O suposto elixir, vendido pelo charlatão Dr. Dulcamara, é apenas vinho, mas o efeito simbólico da bebida transforma o comportamento do personagem e desencadeia uma série de encontros, desencontros e revelações amorosas. No desfecho da ópera, percebe-se que o verdadeiro “elixir” não é a poção, mas o próprio amor que finalmente se revela.
Partindo dessa premissa, o espetáculo constrói um percurso por outras grandes óperas, nas quais um elixir cria situações inusitadas nas paixões que movem os personagens. Árias e trechos de Cavalleria Rusticana, La Bohème, Rigoletto, La Traviata, Il barbiere di Siviglia e Il Guarany surgem como episódios de uma mesma narrativa simbólica em que uma falsa poção do amor provoca encantamentos, ilusões, ciúmes, arrebatamentos e celebrações.
Assim, o espetáculo propõe uma leitura poética do repertório operístico: como se o elixir de Nemorino se espalhasse por todas essas histórias, provocando desencontros dramáticos e também humorados. Ao abrir e fechar o programa com cenas de L’elisir d’amore, a montagem cria um arco narrativo que transforma árias de diferentes compositores em capítulos de uma mesma trama sobre a eterna e imprevisível alquimia do amor.
O espetáculo integra o projeto “A Caminho do Interior”, realizado pelo Consulado Geral da Itália em São Paulo, pelo Istituto Italiano di Cultura San Paolo e pelo Governo do Estado de São Paulo, por meio da APAA – Associação Paulista dos Amigos da Arte, em parceria com a Orquestra Sinfônica de Ribeirão Preto.
Programa
Gaetano Donizetti – L’elisir d’amore: Abertura da ópera
Gaetano Donizetti – L’elisir d’amore: Quanto è bella quanto é cara
Gaetano Donizetti – L’elisir d’amore: Della crudele Isotta
Gaetano Donizetti – L’elisir d’amore: Una parola, oh Adina, dueto
Pietro Mascagni – Cavalleria Rusticana: Intermezzo
Pietro Mascagni – Cavalleria Rusticana: Viva il vino spumeggiante
Giuseppe Verdi – Rigoletto: Caro nome
Giacomo Puccini – La Bohème: O soave fanciulla, dueto
Giuseppe Verdi – La Traviata: Prelúdio
Giuseppe Verdi – La Traviata: Brindisi (Libiamo ne’ lieti calici)
Giuseppe Verdi – La Traviata: De’miei bollenti spiriti
Carlos Gomes – Il Guarany: Sento Una Forza Indomita, dueto
Gaetano Donizetti – L’elisir d’amore: Ei corregge ogni difetto