Editora independente, idealizada por três amigos, se destaca nas grandes premiações do mercado editorial
A Editora Reformatório, sediada em São Paulo, figura novamente entre as grandes do mercado literário ao ter dois de seus títulos selecionados para a lista de semifinalistas do Prêmio Oceanos 2025, um dos mais prestigiados da literatura em língua portuguesa. Os livros “Cabra que lambe sal”, romance de Letícia Bassit, e “Afastar-se para perto”, obra de gênero híbrido de Marcelo Ariel, estão entre as 50 escolhidas dentre as 3.142 inscrições de 488 editoras de 18 países.
O Prêmio Oceanos chega a 2025 como uma importante referência para a literatura. Os dois semifinalistas da Reformatório mostram a relevância da editora independente na descoberta de grandes obras e também de muitos novos autores brasileiros contemporâneos, além de destacar a literatura de língua portuguesa. As inscrições brasileiras nesta edição do Oceanos somaram-se às de Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe, sete dos nove integrantes da CPLP-Comunidade dos Países de Língua Portuguesa.
Editora Reformatório
Fundada em 2013 por três amigos apaixonados por literatura, a Reformatório nasceu em uma edícula no bairro de Santana, zona norte da capital paulista, com o propósito de publicar livros dos três sócios fundadores. Com o tempo, a editora mostrou talento em enxergar e publicar grandes obras recusadas por editoras renomadas, receita que trouxe premiações importantes ao longo dessa trajetória.
Em 2015, com menos de dez livros no catálogo, a Reformatório publicou o romance “A imensidão íntima dos carneiros”, estreia do escritor Marcelo Maluf, que no ano seguinte foi finalista dos prêmios Jabuti e APCA e vencedor do Prêmio São Paulo de Literatura, três dos cinco mais importantes prêmios literários do país.
Em 2016 a editora teve outros dois títulos entre os finalistas dos prêmios São Paulo e do Jabuti, além de outro finalista do Oceanos. E em 2018 voltaria a vencer o Prêmio São Paulo de Literatura com o romance “Oito do sete”, de Cris Judar, feito que muitas editoras grandes ainda não conquistaram.
Desde então, a pequena editora Reformatório, que atualmente está situada no bairro do Tucuruvi, em São Paulo, aparece com frequência com um ou mais títulos nas listas de finalistas de todos os grandes prêmios literários, tendo vencido, além do Prêmio São Paulo de Literatura por duas vezes, também o Prêmio Machado de Assis (Biblioteca Nacional) por três anos consecutivos, com os livros “Além do Rio dos Sinos”, de Menalton Braff (2020), “Textos para lembrar de ir à praia”, de Rodrigo Viana (2021) e “Marinheira de açude”, de Michelli Provensi (2022).
Essas conquistas colocaram a editora em um patamar de prestígio que muitas grandes casas ainda não atingiram, tornando a Reformatório uma referência entre as independentes brasileiras.
Curadoria criteriosa como diferencial
Segundo o editor Marcelo Nocelli, que hoje comanda a casa ao lado de Pérsia Nocelli, o segredo da editora está no rigor da curadoria e no cuidado com cada detalhe editorial. “Publicamos pouco, dois a três livros por mês, mas com muito cuidado na escolha e na qualidade do trabalho editorial”, diz Nocelli.
Em pouco mais de uma década, a editora já publicou quase 300 títulos, alguns com direitos vendidos para traduções internacionais, adaptações para cinema e streamings, além de obras adotadas em vestibulares. Seu catálogo reúne tanto autores consagrados quanto estreantes, sempre sob um olhar atento de curadoria e projeto gráfico.
