O que Acontece

98% dos profissionais nunca fizeram teste comportamental

Autoconhecimento não pode ser identificado pelos contatos e relacionamentos profissionais das redes sociais, alerta especialista em RH

Autoimagem, autorrepresentação, autoestima pessoal e profissional são temas que permeiam fortemente as relações pessoais e profissionais. Considerando que o autoengano é um mecanismo de defesa natural do cérebro humano, os testes comportamentais para autoconhecimento são imprescindíveis, uma vez que revelam o perfil do profissional frente a inúmeras competências que ele pode dominar (zona de conforto), apresentar-se em evolução (zona de adaptação) ou ter dificuldades a serem trabalhadas (zona de esforço).

“Nem sempre uma demissão ocorre por falta de conhecimento para desenvolver o trabalho, mas por falta de autoconhecimento”, alerta Dimas Facioli, da Facioli Consultoria, especializada em RH, desenvolvimento organizacional e pessoal.

Pesquisa na plataforma Inovajob, que permite cadastro gratuito de currículos profissionais, apontou que, de 2.447 currículos cadastrados num dado período, 98%, ou 2.422, nunca fizeram um teste comportamental; ou seja, desconhecem suas competências, suas vantagens e os pontos em que podem melhorar para se tornarem competitivos no mercado de trabalho. Importante ressaltar que, dos 2.447 cadastrados – especialmente por profissionais da região de Ribeirão Preto – cerca de 51% encontravam-se trabalhando e 49% declararam-se desempregados.

“As pessoas podem errar na própria avaliação sobre suas características, qualificações e habilidades tanto para um extremo quanto para o outro; ou seja, excessivamente positiva ou negativamente”, explica Facioli. Segundo ele, é possível mensurar isso, e com qualidade, e trabalhar as competências que estão na zona de esforço e são necessárias para a área de atuação do profissional – o que nem todo mundo sabe. Uma competência na zona de esforço pode não ser importante para as funções a serem exercidas por determinado profissional, mas imprescindível para outro.

O consultor explica que a autoimagem apresentada em redes de relacionamento social pode não ser nada útil na vida profissional. “No LinkedIn, os seguidores, os contatos, o emprego, o cargo, a carreira, apontam o tamanho do sucesso conquistado pelo profissional. Será isso suficiente para a leitura da autoimagem? Essas informações estariam baseadas no ser ou no ter?”, questiona.

Levantamento do LinkedIn mostra que 45% das pessoas, no Brasil, já mentiram sobre o fato de estarem desempregadas, sendo 55% por vergonha e/ou por pensarem que isso diminuiria chances de conseguirem nova colocação. As pessoas se responsabilizam ou veem-se fracassadas frente ao desemprego e disso decorre uma série de comportamentos prejudiciais. Muitos veem o desemprego como desvantagem competitiva, mas aquele profissional que conhece suas competências sabe quão competitivo está para uma vaga.

A plataforma Inovajob oferece a possibilidade de comparação do currículo com concorrentes que apresentam nível semelhante de formação e também aponta as características que empresas buscam para cada vaga disponível, com objetivo de orientar o profissional sobre o que ele é, o que precisa aprimorar ou quanto ele está competitivo para a vaga que busca. “Mas, talvez, desacreditando – por falta de autoconhecimento – do próprio potencial, é alto o percentual de pessoas que não completam o currículo e, por consequência, não têm acesso à autoavaliação nem participação em processos de seleção”, ressalta Dimas Facioli.

O consultor alerta que é importante diferenciar categoricamente o ter e o ser – o que importa no trabalho é o ser. Antes disso, o ter – como o networking e os relacionamentos sociais cultivados – é importante, mas não define quem é este profissional e não qualifica o potencial dele para agregar à empresa. Daí a necessidade dos testes comportamentais para o autoconhecimento, imprescindível para qualquer profissional em qualquer fase de sua carreira.

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