O que Acontece

Pesquisadores de Ciências Farmacêuticas inovam da confecção de máscaras à descoberta de princípio ativo contra coronavírus

Pesquisadores de Ciências Farmacêuticas inovam da confecção de máscaras à descoberta de princípio ativo contra coronavírus

Cursos superiores de Farmácia brasileiros estão atuando em inúmeras frentes no combate à Covid-19

Trabalho voluntário e, em muitos casos, desenvolvido com recursos próprios dos pesquisadores está fazendo a diferença no combate à pandemia no Brasil. Faculdades brasileiras estão desenvolvendo novos medicamentos para tratamento da Covid-19,  participando de estudos de vacinas, realizando testes moleculares de detecção do novo coronavírus, produzindo máscaras em impressoras 3D, criando chats de orientação, transformando álcool e criando inúmeros serviços para populações indígenas, hospitais escola, unidades de saúde, comunidades carentes e profissionais de saúde.

Em meio à pandemia da Covid-19, cursos superiores de Ciências Farmacêuticas de todas as regiões do Brasil têm realizado trabalho intenso de pesquisa, inovação e serviços destinados ao enfrentamento da doença.

Pesquisadores das Faculdades de Ciências Farmacêuticas e da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo descobriram que o fumarato de tenofovir, substância que é o princípio ativo de um medicamento antiviral produzido no Brasil, o tenofovir, inibe in vitro a replicação do novo coronavírus SARS-CoV-2, que causa a Covid-19.  “Ainda é cedo para saber se o fármaco poderá ser oferecido como uma nova opção para o tratamento da Covid-19, mas nossa perspectiva é que o estudo possa contribuir e mostrar a importância do projeto de pesquisa e de inovação dentro da universidade para a formação do aluno e para a sociedade”, diz Giuliano Clososki, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto – USP.

“As iniciativas têm sido fundamentais neste momento e estão atendendo a milhares de pessoas no país, além de buscar respostas, na ciência, para o tratamento e cura da Covid-19”, diz Flavio Emery, presidente da Associação Brasileira de Ciências Farmacêuticas (ABCF), professor Associado da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de RIbeirão Preto – Universidade de São Paulo, membro do Sub-comitê Drug Discovery and Development da IUPAC (União Internacional de Química Pura e Aplicada.

Ainda na região Sudeste, a Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF) da Universidade de São Paulo (USP), juntamente com a Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, está produzindo máscaras face shield (escudo de face) em impressoras 3D. O material é distribuído, gratuitamente, em unidades básicas de saúde e hospitais, incluindo Hospital Universitário e Hospital das Clínicas.

Outra iniciativa é a confecção de mil máscaras de tecido por voluntárias da FCF para funcionários da FCF no retorno das atividades presenciais. A FCF também está fazendo o fracionamento das doações de álcool 70% para uso no Hospital Universitário (HU-USP) e produzindo álcool em gel e álcool 70 para atender parte da demanda do Hospital Universitário – USP e Moradia Estudantil – CRUSP.

No campo da pesquisa, a faculdade está desenvolvendo novos medicamentos para tratamento da COVID 19 e participando de estudos de vacinas, além da realização de testes moleculares de detecção da doença.

A Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Araraquara, está analisando testes da Covid-19 no Laboratório de Imunologia Clínica e Biologia Molecular do Departamento de Análises Clínicas da Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF). As coletas das amostras são feitas nas unidades de saúde e enviadas à Unesp, que tem capacidade para processar até 200 testes por dia. O Laboratório é referência em testagem da Covid-19 no interior do Estado de São Paulo, ao lado das unidades da Unesp de Botucatu e São José do Rio Preto.

Em São Caetano do Sul, alunos do curso de Farmácia da Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS) estão produzindo álcool em gel na Farmácia Escola. O material está sendo doado para os hospitais da rede pública de saúde.

Já em Minas Gerais, pesquisadoras da Escola de Farmácia e do Programa de Pós-Graduação em Farmácia da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) produziram material informativo e educativo sobre a Covid-19 para ser distribuído para profissionais da saúde e pacientes diabéticos atendidos pelas UBS de Ouro Preto e Mariana.

As universidades federais de São João del-Rei (UFSJ) e de Minas Gerais (UFMG) trabalham no desenvolvimento de testes rápidos para Covid-19. Os testes vão usar tecnologia 100% nacional, com moléculas desenvolvidas em laboratório da UFSJ. Atualmente, os testes rápidos utilizam material importado e custam R$ 300. Com a aplicação da tecnologia nacional, o valor por unidade pode cair para R$ 5, em média, uma redução de cerca de 98% no valor.

O Laboratório Institucional de Pesquisa em Biomarcadores (LINBIO) da Faculdade de Farmácia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) está realizando testes para diagnóstico da Covid-19. O LINBIO, que tem capacidade para 100 testes/dia, já realizou e liberou  cerca de 3 mil testes em apoio à Fundação Ezequiel Dias, da Secretaria de Estado da Saúde de Minas Gerais (FUNED/SES/MG).

A Faculdade de Farmácia da UFMG também está produzindo no Laboratório de Análises Toxicológicas (LATO) álcool 80%, álcool 80% glicerinado e álcool 70% em gel. Já no Centro de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação Farmacêutica (CPDI-FAR) da UFMG acontece a produção e fracionamento de álcool glicerinado a 80% e álcool em gel a 70%. O material é destinado ao Hospital das Clínicas da UFMG e Hospital Risoleta Tolentino Neves.

Em Vila Velha, no Espírito Santo, alunos e docentes do Programa de Pós-Graduação em Ciências Farmacêuticas da Universidade Vila Velha (UVV) estão produzindo frascos de álcool em gel e distribuindo em terminais de ônibus. O PPGCF também está arrecadando e doando alimentos para comunidades carentes.

Na região Nordeste do país, a Universidade Federal da Bahia (UFBA), além de produzir álcool para ser distribuído aos hospitais universitários, está promovendo campanha de fabricação de máscaras para população indígena baiana. A produção é destinada a comunidades indígenas do sul da Bahia, região com crescente número de infecções por coronavírus.

A produção de álcool líquido para auxiliar os serviços de saúde também está sendo realizada pelo Departamento de Farmácia (DFARM) da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e pelo Laboratório Farmacotécnico Hospitalar da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf).

Ainda na região Nordeste, a Universidade Federal de Alagoas (UFAL) está alertando sobre intoxicação por produtos usados para a higienização e desinfecção pessoal ou do ambiente e medicamentos utilizados indevidamente no tratamento da Covid-19 no canal @citoxufal nas redes sociais.

Já o Departamento de Análises Clínicas e Toxicológicas (DACT/CCS) da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e o Hospital Onofre Lopes (HUOL/UFRN) disponibilizaram para os profissionais da área de saúde o “Chat Covid” um serviço de orientação sobre a testagem para Covid-19, que funciona 24h, todos os dias. Também participa deste trabalho o Conselho Regional de Farmácia do RN.

O Laboratório de Farmacognosia, do Departamento de Ciências Farmacêuticas da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), está transformando álcool 96 doado pela prefeitura em álcool 80 glicerinado. A produção será doada para a comunidades do entorno e hospitais públicos de Pernambuco.

O Programa de Pós-Graduação em Inovação Terapêutica (PPGIT) da UFPE integra a rede de ampliação do diagnóstico do Covid-19, em Pernambuco. O objetivo é ampliar o número de pacientes diagnosticados com Covid-19 na região metropolitana de Recife com a realização de 15 mil exames com o teste padrão ouro para o diagnóstico: RT-PCR. O PPGIT também está desenvolvendo kits de diagnóstico rápido e biodispositivos sensores flexíveis descartáveis para o diagnóstico da Covid-19, além de realizar a investigação da história natural e avaliação de novos biomarcadores capazes de auxiliar no diagnóstico e manejo terapêutico da Covid-19.

Na região Norte, a Faculdade de Farmácia da Universidade Federal do Pará (UFPA) e o Programa de Pós-Graduação em Inovação Farmacêutica (PPGIF) estão produzindo álcool em gel para atender unidades acadêmicas e hospitais universitários.

Na Região Centro-Oeste, a Faculdade de Farmácia da Universidade Federal de Goiás (UFG) capacitou 300 estudantes do curso de Farmácia para atuação no enfrentamento da doença. Também está dando suporte técnico científico aos farmacêuticos, com orientações sobre síndromes gripais, antissépticos e desinfetantes preconizados e alternativos e uso de EPI por farmacêuticos nas farmácias comunitárias disponíveis em livro digital.

Outra ação da UFG foi a criação de um núcleo de informação de apoio aos profissionais de saúde e à comunidade por meio de um canal no Whatsapp. “O objetivo é que os profissionais da farmácia comunitária sintam-se mais seguros para atuar neste momento de pandemia”, explica Telma Alves Garcia, diretora da Faculdade de Farmácia da UFG.

A UFG desenvolveu, ainda, uma rede de diagnóstico da Covid-19, que conta com a participação dos laboratórios de análises clínicas da Faculdade de Farmácia, do Instituto de Ciências Biológicas e do Instituto de Patologia Tropical e Saúde Pública, todos da Universidade Federal. O objetivo é realizar 7 mil testes por mês.

No sul do Brasil, o projeto Rede de Solidariedade Com e Pela Comunidade Contra O Coronavírus (Solicom), da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), tem auxiliado comunidades carentes. Alunos, professores e pesquisadores estão realizando diversas ações de combate à Covid-19 em comunidades de Porto Alegre. Cada docente aplica a sua área de conhecimento, de acordo com a necessidade do local. A Faculdade de Farmácia, por exemplo, produz e distribui álcool em gel com orientações, seguindo o padrão farmacêutico, de como utilizar o produto de maneira eficiente na comunidade. “Nosso objetivo é aproximar a ciência da comunidade, por meio de ações de troca de conhecimento entre a universidade e a população”, explica Denise Bueno, coordenadora do programa de Pós-Graduação em Assistência Farmacêutica da UFRGS.

A Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) disponibilizou um número de telefone para tirar dúvidas sobre a doença. A equipe de atendimento é composta por orientadores e estudantes da área de saúde, que dão orientações ao público em geral sobre prevenção, cuidados e combate ao novo coronavírus.

O Programa de Pós-Graduação em Ciências Farmacêuticas da Universidade Federal do Paraná (UFPR) está produzindo álcool em gel e, até o momento, distribuiu 826 litros à hospitais e comunidades carentes. 

A Farmácia Ensino de Manipulação da Universidade Estadual de Maringá (UEM) retomou a produção de álcool líquido 70% após a doação de mil litros de álcool puro. O material será destinado ao consumo interno do Hospital Universitário Regional de Maringá (HUM) e alguns setores da UEM, promovendo a segurança dos servidores que permanecem trabalhando. A UEM também conta com Grupo de Estudo de Evidências Científicas em Covid-19, que se reúne por meio de redes sociais, trocam informações por e-mails, arquivos compartilhados em nuvem e realizam reuniões virtuais.

Os docentes e estudantes do Programa de Pós-graduação em Biociências e Fisiopatologia (PBF) da UEM também estão participando de ações de combate à Covid-19. Os docentes atendem como plantonistas na farmácia e laboratório de análises clínicas do Hospital Universitário e os estudantes atuam como agentes de saúde em projetos de busca ativa de casos e no atendimento em um projeto que tira dúvidas sobre Covid-19 por telefone. A PBF desenvolve, ainda, projetos de pesquisa relacionados à Covid-19 em dissertações e teses e participa dos Conselhos do Hospital Universitário e da universidade que atuam na organização e planejamento de estratégias frente a pandemia.

 “A atuação de cada uma das instituições mostra a flexibilidade, o comprometimento e o reposicionamento rápido das universidades em cenários críticos, resultando em maior proximidade e inserção na comunidade”, analisa Flávio Emery.

Receba Novidades